sábado, 27 de dezembro de 2008

25 de dezembro

Tenho dificuldades de lidar com todos os finais, eles sempre me entristece e me fecho.
Hoje é natal para muitos, não para mim, logo irá iniciar um novo ano. Para isso este chegará ao seu fim.
Tenho sentido o peso de vários finais e tenho vivido isso dia após dia, e estou tentando evitar inícios, pois preciso da certeza dos finais de alguns ciclos.
Tem poucos dias, na sexta feira fui trabalhar com a morte, poucos entenderão isto, mas ela me acompanhou pelo trajeto e passou o final de semana muito próximo a mim, disfarçada de uma sensação de ausência quase sólida de tão densa.
È inevitável olhar para trás agora e ver tantos finais sem recomeço e como tudo é diferente agora.
Em janeiro estarei de férias e vou fugir de mim neste período, e do mundo.
Preciso pesar o que passou, avaliar e experimentar.

“Não, não é cansaço. . .
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
E um domingo às avessas
Do sentimento ,
Um feriado passado no abismo . . .
Não, cansaço não é . . .
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém ,
Com tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.”

( À l v a r o C a m p o s )

Acho que este trecho traduz um pouco do meu sentimento . . . e talvez eu não saiba traduzir melhor .

sábado, 20 de dezembro de 2008


“Hoje eu acordei com medo,
mas não chorei nem reclamei abrigo”

(Cazuza)

domingo, 30 de novembro de 2008

... (1)

Será prepotência minha ou falta de caráter alheia?
Sei que erro, e muito, afinal, “sou humano, demasiadamente humano” . Porém vivo minhas escolhas, sejam erros ou acertos.
Muitas vezes o erro para outro, para mim não passa de fato ou escolha. Sei quando erro e reconheço. Sem culpa ou vergonha, porém muito provavelmente erraria novamente se eu pudesse voltar atrás.
Afinal todos nós temos aquela vocecita . Sabe, aquela?... É esta mesmo! Esta que nós diz, se você virar a direita você vai dar de cara com a parede, ou ainda, que esta não é a melhor opção. Mas, mesmo assim você vira, ou escolhe indo na contra mão da voz da conciência.
Ah! Sem esta hipocrisia do “Eu não sabia”, “Foi sem pensar”; ou “Foi sem querer”, ah não! Esta me mata. Se não queria fez porque? Existia uma arma apontada em sua cabeça?
Verei! Bati! Doeu..? Vezes sim, vezes não. Eu sabia que se virasse bateria. Inclusive, sabia também, que seria julgada por isto.
Mas não sei vocês; eu, tenho a vocecita sussurrando “- Não vire.” e o vozerão gritando “-Vire! Porque não? Você tem que tentar, arriscar, pagar para ver!”, e esta voz é extremamente sedutora, e me encanta. E eu faço!
O caramba que foi sem pensar! Todo mundo pensa. Pesa. E então faz.
Viver valeu?
Se sim ou não, faria novamente pois a dúvida me sufoca.
Por tudo isso acho o arrependimento muitas vezes uma perda de tempo. Porque, geralmente, faria tudo ou grande parte novamente.
Afinal sou eu. E só sou porque vivi minhas escolhas, acertos e erros.
E se não fosse assim, não seria Assis!
Neste baile de mascaras deixo a minha em casa.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Porque estou aqui?

Sempre vem a pergunta... Porque você fez um blog? Para que você
também saiba, pensei nos dois principais motivos.
Certa vez li que escrever é a arte de enterrar fantasmas, e concordo. Quando escrevo, organizo meus pensamentos e tudo fica menos difícil (quem sabe um dia fique mais fácil), enxergo de modo menos turvo o mundo que me rodeia, ou desabafo o fardo e então posso seguir a diante.
Pode ser prosa, poesia ou um texto desinforme como tal. Não busco regras gramaticais ou padrões. Escrever é solidificar um pensamento e quem sabe torná-lo uma peça encaixável neste complicado quebra-cabeça que sou eu.
Além disto, tenho uma constate companheira, eis me aqui juntamente com a solidão.
Foi ela que sempre me acompanhou, mesmo quando tenho outra companhia. Mesmo acostumada com ela tenho uma intensa necessidade de compartilhar, e hoje estou em um momento em que percebo poucos vínculos com meu passado e com amigos de verdade. Cada um tomou um rumo, conhecemos outras pessoas, outros ciclos de convivência, relacionamentos, gostos musicais diferentes, áreas de trabalho que não são interligadas, enfim... Hoje não tenho uma relação sólida, nem com o passado, nem com o presente. Vejo pessoas importantes passando por minha vida, levando boas lembranças minhas e eu delas. Meus caminhos constantemente se cruzam com outros, mas não sigo junto com ninguém.
Talvez aqui limpando meu porão, organizando idéias, compartilhando... possa eu preencher alguns espaços.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Vícios e Virtudes

Porque a vaidade de ser virtuoso também parece ser virtude e assim, neste caso, temos um vício que nos emenda e um defeito que nos melhora.